Esqueça o CRECI: o que você faz por você?
Uma colega do Ceará, fazendo coro a todos os demais colegas que criticam a atuação do CRECI, inclusive eu, reclama da falta de valorização da categoria. Segue o texto abaixo:
Ôpa… Mas aí em Fortaleza tem uma das maiores redes imobiliárias do país (mais de 130 imobiliárias), atualmente presidida pelo Apollo Scherer, com reuniões abertas todo o mês para discussão de questões relacionadas com o setor imobiliário. É claro que isso não justifica a pasmaceira do CRECI (muito menos uma série de outros absurdos que já foram discutidos nas reuniões da rede – alguns que não dá nem pra falar em público), mas é uma importante forma de mobilização da categoria e que ajuda muito em questões como exclusividade, comissão mínima, exercício legal da profissão e também a atuação do conselho. Tenho consciência disso, até porque a rede foi uma iniciativa minha, e com o apoio das lideranças locais e muita conversa, ela está funcionando muito bem.
E a diferença é muito grande. Atuo no mercado de Salvador/BA e aqui pra obter exclusividade é um parto. Comissão virou farinha e se você quiser anunciar no jornal vai ter que pagar caro (no Ceará nós comprávamos pacotes de linhas especialmente preparados para a rede, com preços bem abaixo do mercado). Fora um monte de outras coisas que ficam mais fáceis em função do óbvio: a união faz a força.
Acho esse tópico muito interessante (aliás, acho toda essa comunidade interessante), mas percebo um descompasso quando vejo que embora praticamente 100% dos colegas tenham alguma reclamação contra o CRECI ou COFECI ou SINDIMÓVEIS ou mercado, ou cliente, etc., etc., quando a gente fala em mobilização, poucos se animam a participar.
Cada um tem que parar e pensar o seguinte: nada vem de graça. Quer melhorar as condições do seu trabalho, se mobilize! E isso não é papo de adolescente que quer mudar o mundo, não. Perceba que todos os segmentos bem sucedidos da sociedade são organizados. Já ouviu falar de FEBRABAN? FIESP? E tantas outras organizações essencialmente capitalistas…
Eu já participei da criação de 2 redes imobiliárias e pretendo criar uma terceira aqui na Bahia. Além de todos os aspectos comentados acima, cabe frisar que a rede dá lucro para todos que participam dela: cria uma “matriz de oportunidades” e turbina os negócios, porque sempre tem alguém com o imóvel ou cliente que você precisa. Também vou convidar os vários grupos espalhados pelo país para começarmos a “conversar” juntos.
A WEB permite isso de uma forma espetacular. Os tiranos de plantão, que sempre surgem quando se fala em montar um grupo, seja lá do que for, têm dificuldade para impor suas regras em um ambiente aberto, através da comunicação escrita (como em um Fórum), onde qualquer pessoa pode se manifestar abertamente e é perfeitamente possível fazer uma eleição honesta.
São iniciativas simples, porém fundamentais para a união da categoria. O resto é uma questão de racionalização: todo mundo quer melhorar.
Em tempo: eu preciso muuuiiiito de ajuda.
Há quem diga que tudo isso é perda de tempo. Estufam o peito e afirmam que “só interessa ganhar dinheiro” que “esse negócio de política é para desocupados”, etc. São os primeiros a pular prá dentro do barco quando a coisa tá funcionando. Há quem não diga nada: silêncio absoluto, tipo “não é comigo” ou “vou esperar para ver como é que fica”.
É um equívoco: primeiro porque a mobilização de classe a que referimos não tem nada a ver com movimento sindical. Não tem a conotação política do tradicional movimento de classes. Nós somos empresários (ainda que o termo não se aplique formalmente a todos). As redes não são criadas para defender salário de corretor, até porque ela é formada por imobiliárias e corretores autônomos. Elas são criadas para gerar negócios, melhorando os aspectos de qualidade e quantidade. Segundo porque a omissão (estou falando dos mudinhos) nunca trouxe os benefícios esperados, porque ou a coisa simplesmente não acontece por falta de mobilização, ou acontece de uma forma que você não queria.
Você pode iniciar o ano de 2009 comemorando o ótimo desempenho de uma rede imobiliária aí na sua cidade, com todos os benefícios relacionados ao mercado, ao CRECI, etc., ou lamentando os vários problemas que temos nesse início de 2008. Vá além: suponha a categoria organizada em todo o Brasil, discutindo seriamente seus problemas, pressionando instituições por melhores condições de trabalho. São opções e estão à sua disposição. O que vai ser?