
Consórcio: não compete com crédito
As instituições financeiras não consideram que o consórcio seja um concorrente do crédito imobiliário porque focam em públicos diferentes.
O consórcio é mais indicado para quem precisa do bem apenas a médio ou longo prazos, já que, se não for sorteado logo ou conseguir arrematar a carta de crédito ao dar um lance, o cliente pode ter que esperar mais de 16 anos para ter o dinheiro –caso do Banco do Brasil, com prazo máximo de 200 meses (veja quadro abaixo).
“Enquanto o cliente de consórcio tem um perfil de planejamento financeiro, o público tomador de financiamento possui uma característica mais imediatista”, compara Marcelo Dutra Labuto, diretor do Banco do Brasil.
Na modalidade, não há cobrança de juros, portanto o custo final é menor do que no financiamento habitacional, mas os interessados devem olhar com atenção redobrada a taxa de administração.
Outro item importante a ser considerado no cálculo para definir a melhor opção é o fundo de reserva. Nas empresas pesquisadas pela reportagem, o percentual sobre o valor da carta de crédito varia de zero a 5%.
Lance
Os especialistas consultados preferem não indicar um percentual de lance que vai garantir a contemplação, mas há dicas que podem ajudar a usufruir melhor do produto.
“Os percentuais variam muito de acordo com o grupo e, principalmente, com o prazo restante. Geralmente, nos primeiros meses, os lances são mais altos, já que é o momento em que as pessoas com maior necessidade e poder financeiro fazem ofertas maiores para adquirir logo seu bem”, explica Luís Matias, do Itaú Unibanco.
O número de clientes no consórcio de imóveis cresceu 6% em 2011 ante o ano anterior, de acordo com a Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), chegando a 614.500 participantes ativos.
Para Paulo Roberto Rossi, presidente da entidade, a modalidade deve continuar crescendo. “O cenário econômico faz as pessoas pensarem a médio e longo prazos.”
Um dos indicadores que reforçam essa confiança do consumidor para comprometer a renda futura por tanto tempo é a taxa de desemprego, que chegou a 5,5% em janeiro, a menor para o mês desde o início da série histórica do IBGE, em 2002.
.
.
Fonte: Folha de São Paulo