Viva São Paulo e os Paulistanos!

(ou: falando o que tem que ser falado)

Não procure pela imprensa tradicional porque você não vai encontrar a maioria das informações postadas aqui. Pesquise na WEB, visite os blogs, participe dos fóruns e se informe.

São Paulo está um caos. Para quem não conhece de perto a cidade, a frase pode parecer “lugar comum”, afinal tem tanto caos em tantos outros lugares no país e no mundo. Mas o caso da capital paulista é “sui generis”: São Paulo é uma das maiores cidades do mundo, riquíssima, a “locomotiva” do Brasil. São Paulo não é o Haiti. Bom, não era…

E conseguiram detonar São Paulo…

Uma mistura de incompetência e arrogância nas administrações estadual e municipal e em uma população que se julga melhor do que o restante do país e que há décadas reelege os mesmos políticos que estão destruindo a cidade.

Sem nenhum exagero: há alguns anos atrás, São Paulo tinha alguns trechos de congestionamento. Hoje, São Paulo tem alguns trechos de vias fluindo normalmente (o resto está congestionado). É claro que vai aparecer alguém para dizer que isso é mentira, que só 130 dos 800 Km de vias monitoradas ficam congestionadas, mas vai esconder de você que os 130 Km parados são os principais da cidade. E em qualquer horário! É possível pegar um congestionamento na Rebouças domingo à tarde…!

E o prefeito, o que faz? Proíbe os fretados e investe em pistas exclusivas para motos (que se tornaram uma praga na cidade – mas isso já é assunto para um outro artigo). Ou seja, investe mais em meios de transporte individuais, em detrimento do transporte coletivo, que está uma porcaria. Para se ter uma ideia do que isso representa, cada ônibus chega a ocupar o espaço de 35 carros nas ruas de São Paulo. Pior do que isso só o protesto de alguns moradores contra uma expansão do metrô, devidamente cancelada pelo Alckmin (confira).

 Quem mora na Região Metropolitana de São Paulo paga pedágio para ir e vir. Isso mesmo, o direito mais básico, previsto na Constituição Brasileira, não é respeitado em São Paulo. E paga caríssimo!

É uma situação tão esdrúxula que já se consolidou um consenso: se não tem pedágio, então não tem Estado (em qualquer esfera, ou seja, sem pedágio as vias são esburacadas, tortas, mal sinalizadas, etc.). E as pessoas acham isso normal… Para simbolizar essa situação, não posso deixar de citar Campinas (cidade do “interior”, próxima à capital). A cidade está cercada por 22 pedágios. Algumas pessoas já dizem que 22 pedágios é um exagero (…até 21 ainda vai .. rs..rs..). Confira. Detalhe, a elite campinense é do tipo que “se acha”.

O pior é pagar um pedágio caríssimo (R$ 18,00) para levar 7 horas para ir à praia (80 Km). Saiba um pouco mais sobre os pedágios de São Paulo.

São Paulo nunca foi segura. É claro, com a política de exclusão social que reina na cidade desde os primórdios não é possível ter paz e tranquilidade para os habitantes. O assustador do momento foi a notícia de que quase 25% dos delegados da cidade estão sendo investigados pelos mais variados crimes. 25%!!! São 800 caras! Isso porque deve ter muita gente que não foi “desmascarada”. Confira.

É um problema gravíssimo, parte de um quadro já bastante complicado. Os policiais de São Paulo são muito mal pagos (todos os funcionários públicos – há um processo de desmonte da máquina pública) e o curioso é que o governo José Serra foi o único que não quis participar da Força Nacional de Segurança Pública. Não envia funcionários e recusa qualquer ajuda que venha do governo federal (e também não dá aumento para os policiais). Como vai precisar uma Bíblia para explicar tudo, vou deixar só um testemunho exemplo:

Major Olímpio responde a seguinte pergunta: “Houve alguma outra situação em que o senhor ficou indignado (relação governo do estado e segurança pública)?
R- Muitas. Quando houve a inundação no Maranhão, São Paulo mandou 30 bombeiros para lá. Eles foram enviados em um avião da FAB. Ajudaram e tal. Na volta, não tinha mais como eles voltarem no avião da FAB. Sabe o que o governo paulista fez? Nada. Os 30 bombeiros passaram três dias molhados, feridos, cansados, no aeroporto do Maranhão. O governo paulista não queria pagar passagens para os 30 bombeiros voltarem para suas casas, depois dessa missão autorizada. No último dia 3 eu fiz essa denúncia no Plenário. Sabe como eles voltaram? Nós, policiais, pagamos as passagens para os colegas com um fundo nosso mesmo, que mantemos para garantir café e bolachinhas nos quartéis. Nós, policiais, pegamos desse dinheiro e pagamos as passagens para os colegas. Na volta, eles nos contaram que não receberam sequer as diárias pelos dias que passaram lá, ajudando a salvar vidas. Como é que eu, um policial por 29 anos, posso apoiar esse governador?”

O caos urbano paulistano foi construído ao longo dos anos baseado essencialmente nos seguintes fatores: crescimento desordenado, exclusão social e concentração de renda. A “galera” do Morumbi sempre achou que se você empurra “a gentalha” para as periferias, então fica tudo resolvido: mão de obra barata para os ricos ficarem mais ricos e o povão fica lá longe.

A síntese do pensamento paulistano está na decisão do governo do estado em recusar o programa “Minha Casa Minha Vida” do governo federal (na verdade, José Serra impôs um máximo de 20 mil moradias para serem construídas dentro do programa – o governo federal havia proposto cerca de 190 mil). Ou seja, apesar do déficit brutal de moradias na cidade e a existência  de diversas áreas de risco, o governo do estado não quer a construção de moradias para o povo.

Na mesma época foi descoberta a relação espúria entre vereadores da base do prefeito (Kassab) e empresas do setor imobiliário (doações ilegais através da Associação Imobiliária Brasileira). Ou seja, a política habitacional de São Paulo é determinada em função de interesses privados. E tome a construir prédio e condomínio fechado sem nenhum planejamento (para a cidade, claro).

A elite, geralmente mal informada, acredita que a política que tenta manter longe o povão é a melhor (ou a única). Não conseguem construir uma relação de “causa e efeito” entre desigualdade social e qualidade de vida.

Como normalmente costumam dizer que os erros apontados são “intriga da oposição”, o vídeo acima tem um valor excepcional, porque é basicamente um depoimento técnico de pessoas que fizeram ou fazem parte do próprio governo.

Mostra porque em 60 dias já morreram 61 pessoas na cidade, vítimas das chuvas. Aponta possíveis razões para que alguns bairros da cidade estejam sob o esgoto HÁ MAIS DE UM MÊS (dá prá acreditar nisso? Leia aqui). Sugere quanto custa caro essa política de exclusão social.

Isso significa que “as elites”, que sempre apoiaram as administrações de direita em São Paulo, deram um “tiro no pé”. Pagam caro pela segurança privada, não conseguem se locomover em função dos congestionamentos (nem todos tem helicópteros) e sofrem com as enchentes que chegaram até as áreas nobres da cidade. São os donos dos meios de produção e portanto têm enormes prejuízos com o caos que se instalou na cidade.

Em termos gerais, o paulistano bateu (mais) um recorde inusitado: quase 60% dos moradores de São Paulo querem fugir da cidade.

Junto com esse número, um outro igualmente inusitado: quase 60% da população aprova o governo José Serra (incrível).

Acham que vivem na Chuiça… fazer o quê…

Feliz 465 anos!

José Ruiz
Published On: janeiro 26th, 2010Categories: Cidades, Planejamento UrbanoTags: , , ,

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Sobre o Autor : JRuiz Admin

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