
São Paulo verticalizada: Falta de terrenos muda o desenho das metrópoles
São Paulo está rodeada por edifícios. Devido à pouca oferta de áreas na cidade, e consequente alto custo dos terrenos, incorporadores apostam na construção de prédios para otimizar o espaço e fechar a conta
A intensa ocupação das grandes cidades e a carência de terrenos desocupados, especialmente nas áreas mais cobiçadas, trouxe uma tendência de verticalização dos imóveis. Devido à pouca disponibilidade, as incorporadoras procuram potencializar a área, construindo prédios que possam atender à diversas famílias. “Há uma tendência de verticalizar, porque condomínio de casas não fecha a conta, só se for de alto padrão.
Tudo é muito justo no mercado de incorporação, as pessoas acham que os lucros são enormes, mas não é verdade”, explica Gustavo Feola, sócio-diretor da Gustavo Feola Negócios Imobiliários, imobiliária especializada em áreas acima de 1.000 m2.
Esta tendência está mudando o desenho da cidade. Em bairros como Moóca, Tatuapé e Saúde, por exemplo, as casas antigas deram lugar aos prédios e tiveram sua paisagem transformada. O mesmo deve acontecer em outras regiões, como a Lapa, Cambuci, Ipiranga e Vila Carrão. “Não se pode segurar o crescimento, eu acho que tudo tem que ter bom senso, veja a diferença do Tatuapé com a Penha, um bairro se modernizou e outro está em um ritmo mais lento de desenvolvimento”, ressalta Feola.
Para o empresário, essa mudança é necessária, mas a sociedade e o mercado imobiliário se adaptam a essa nova realidade. “Tudo muda, moderniza, vai para frente, evolui, e as pessoas têm que se adaptar ao novo modo de vida”.
As metragens estão reduzindo, e o motivo não é somente economia de espaço, o perfil do consumidor mudou e o mercado imobiliário se enquadrou. “No futuro tenderá a ser esses espaços menores, apartamentos mais compactos, pois também cada vez mais as famílias estão menores, com menos filhos, solteiros morando sozinhos. Haverá casas apenas em bairros de alto padrão, como Pinheiros e Jardim Europa. Em alguns bairros poderá haver projetos pontuais de vilas ou condomínio de casas com 3 a 10 unidades”, avalia.
Para compensar as incorporadoras têm humanizado mais os projetos, buscando interagir o empreendimento com a comunidade. “As incorporadoras tem adotado projetos mais eficientes, o que não significa mais adensados, e sim mais pensados na comunidade. Os prédios estão cada vez mais com serviços, estão sendo como hotéis. Algumas também fazem prédios sem muros, ou uma praça próxima para integrar com a comunidade. E os urbanistas podem ajudar dando ideias”, sugere Feola.