Mulheres na construção civil

Mulheres na construção civil

Mulheres conquistam espaço na construção civilSegundo dados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre os anos de 2002 e 2008, a participação feminina nos postos formais de trabalho registrou crescimento de 40,9% contra 34,5% dos homens. E elas, cada vez mais, vêm conquistando espaço em profissões, tradicionalmente, masculinas. Na área da construção civil, este cenário não é diferente.

A participação das mulheres na atuação da construção civil, porém, pode ser muito maior do que a apontada pelos números. Renato Parreira, diretor regional do Sindicato da Construção (SindusCon-SP) em Bauru, afirma que a contratação formal de mulheres é uma realidade na Capital do Estado. No entanto, a maioria delas, inclusive na região de Bauru, trabalha de forma autônoma, realizando principalmente serviços de acabamento nas obras. Esses profissionais autônomos não são contabilizados nos números do MTE.

É o caso da pedreira Andréia Cristina Andrade, 43 anos. Casada e mãe de quatro filhos, ela conta que há 10 anos largou o emprego de cabeleireira, que exercia em um salão de beleza da cidade, para aprender o ofício com o marido. “Comecei como servente de pedreiro. Ele ia trabalhar e me ensinava tudo. Hoje, meu marido faz a parte dele do trabalho e, depois, eu faço a minha, e ganho mais do que no antigo trabalho”, afirma.

Uma realidade impulsionada por iniciativas em todo o país no sentido de formar mulheres para este segmento.

Programa Mulheres Construindo AutonomiaNo Rio Grande do Sul, várias prefeituras com o apoio do Governo Federal – através da Secretaria de Políticas para as Mulheres, se uniram para criar um programa de formação profissional para mulheres na construção civil: Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil. O objetivo principal do programa é a qualificação de mão-de-obra feminina para a construção civil. Para isso, pretende capacitar mulheres de baixa renda – com cursos, visitas técnicas, palestras, seminários e workshops – para atividades em acabamento de obras.

No Ceará foi desenvolvido o projeto “Mão na Massa“, que visa a qualificação social e profissional de mulheres, jovens e adultas, para funções básicas do setor da Construção Civil. As participantes dedicam 460 horas de atividades, sendo 160 horas de qualificação social  – cidadania,  autoconhecimento, mundo do trabalho, empreendedorismo, saúde e segurança do trabalhador – além de cursos de matemática e português. Outras 120 horas dedicadas a leitura de plantas de edificações e canteiro escola com qualificação profissional. Ao final 180 horas são destinadas a etapa prática, quando as participantes, supervisionadas por profissionais, realizam obras de reforma e melhorias em obras sociais e espaços comunitários que atendam a população. Durante o curso as alunas recebem vestuário, equipamento de proteção individual, material escolar, apostila, vale transporte, recurso financeiro denominado – bolsa auxílio, seguro de vida, kit de ferramentas e cartão de visita personalizado. Certificadas pelo SENAI as operárias podem ser contratadas na função de meio-oficial.

Mulheres dominam os cursos de arquitetura em todo o BrasilNas universidades em todo o Brasil as mulheres são maioria. Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) 70% dos alunos dos cinco anos do curso de Arquitetura e Urbanismo são mulheres. “Na minha sala, por exemplo, dos 60 alunos 50 são mulheres e eu vejo isso também nos outros anos”, afirma a estudante do 4° ano, Luciana Ribeiro. Já no curso de Engenharia Civil o número é menor, apenas 35%. No entanto, esta estatística mostra como será o futuro da construção civil: uma área cada vez mais ocupada pela presença feminina.

Qualificação profissional como passaporte

A entrada das mulheres no mercado de trabalho da construção civil é confirmada pelo diretor regional do SindusCon-SP em Bauru, Renato Parreira. Ele destaca como ponto positivo, principalmente, a qualificação técnica da mão de obra feminina e a vantagem em relação aos homens na execução de alguns serviços. “Elas não estão sendo contratadas para fazer força, mas para aplicar seus conhecimentos técnicos, principalmente nos trabalhos de acabamento, como pintura e revestimento de pisos e azulejos. Elas são mais cuidadosas que os homens e podem fazer isso melhor”, destaca.

Parreira aponta também o crescimento no número de matrículas de alunas nos cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-Bauru), especialmente no de Edificações. Larissa Fiorenzi, 16 anos, é uma dessas alunas. Moradora de Pederneiras, ela também cursa o 2º ano do ensino médio no Sesi. “Eles apresentaram três tipos de cursos técnicos para a gente e eu me interessei muito pelo de Edificações porque pode me ajudar na carreira de arquiteta que eu quero seguir”, explica.

Segundo a estudante, apesar do equilíbrio entre alunos do sexo masculino e feminino no curso, as mulheres são maioria na turma de Larissa, que iniciou as atividades no começo desse ano. “Nós estamos na frente, mostrando para a sociedade que não existem atividades exclusivas de homens ou mulheres. Todos podemos fazer tudo o que quisermos”, destaca.

Larissa Caires Stratassoni, 17 anos, também está matriculada no curso de Edificações do Senai e mostra estar bastante empolgada com as aulas. “No mercado de trabalho, a gente fica no meio termo entre o arquiteto e o mestre de obras. Quando me formar, posso assinar construções de prédios menores. Temos aulas teóricas, práticas e de desenho técnico. Já aprendi a assentar tijolos e medir o nivelamento da obra”, conta animada.

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Sobre o Autor : JRuiz Admin

3 Comments

  1. Mateos Tschá 16 de março de 2011 at 12:03 - Reply

    Uma visão feminina nessa mercado será um diferencial no futuro.
    Afinal, cada vez mais, é preciso entender, e não apenas fazer!
    __________________ _http://imoveisimobiliaria.net 

  2. imoveis zona leste 3 de maio de 2011 at 21:14 - Reply

    e as classes D – e – E – o que vão fazer ? – imóvel para alugar acabou meus amigos está em extinção, quem tem está comercializando o mesmo como se fosse o último copo de agua do deserto, ninguém mais constrói imóveis para locação residencial, e o culpado é a morosidade do judiciario que demora meses porque não dizer anos, para fazer cumprir uma simples ação de despejo, as classes D e E estarão em imóveis da prefeitura leia-se viadutos…    

  3. tete quadros 20 de outubro de 2011 at 14:04 - Reply

    quando vai sair aqui para porto alegre este curso da construção civil para as mulheres tenho interece em fazer tenho terreno. mas não tenho dineiro o material eu to pagando.

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