EM NOME DO MARKETING
EM NOME DO MARKETING
No afã de conferir certo verniz aos atrativos de seus empreendimentos imobiliários, incorporadoras e imobiliárias de São Paulo exageraram na licença idiomática, criando peças involuntárias de humor. Lavanderias viraram “wash lounges”, em vez de “laundries”, como no idioma original, levando os norte-americanos consultados pelo jornal cogitarem se tratar de um espaço para banhos coletivos, e não para lavar roupas.
A proximidade de comércio e serviços em um bairro central da capital gerou uma chamada para a “walkmobility” do prédio em construção – ou, em bom português, a possibilidade de fazer as coisas a pé. E, em bom inglês, “walking distance”.
Os casos relatados pela Folha não passariam de uma mera coleção de divertidos jargões setoriais, não fosse por um detalhe. Quando específico de um grupo, como uma categoria profissional, o vocabulário peculiar funciona como meio de integração e fortalecimento do espírito de corpo. Tem, portanto, uma função positiva: reunir os pares em torno de uma linguagem que os identifica como grupo.
Mas quando usado em veículos de comunicação e peças de propaganda, por natureza públicos e massificados, o estrangeirismo funciona como um evidente separador de classes, um marcador de diferenças. Não se trata apenas de quem pode e de quem não pode comprar o que está sendo anunciado. Trata-se, mais além, de quem está apto a entender o que é ofertado e de quem não está. Uma exclusão em dobro.
Daí que desperte reações negativas, como a do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), ouvido pelo jornal. Ele vê nas expressões importadas uma forma de “opressão lingüística”, capaz de impor “uma espécie de humilhação” a quem não domina o idioma. A alternativa proposta pelo deputado, de banir os estrangeirismos, é radical e inócua – a língua e a cultura de um povo não vivem impermeáveis à língua e a cultura de outros povos. Mas é digna de reflexão, pois chama a atenção para o significado sociocultural de uma questão aparentemente banal.
Ainda assim, o melhor, ao invés de apelar para proibições, é contar com o tempo e com a própria natureza cíclica do mercado publicitário, que atualiza recorrentemente seu vocabulário, abandonando certas expressões e adotando outras. Ou, mesmo, apostar na incompetência daqueles que fazem uso incorreto das expressões estrangeiras e colocam seus empreendimentos sob ameaça do ridículo, obtendo efeito inverso ao desejado.
Fonte: http://www.amanha.com.br
Interessante o Post. Aqui em Santos estamos passando por um exagero diferente, estão sendo anúnciados imóveis em bairros que simplesmente não existe: tivemos 2 lançamentos anunciados no bairro " orquidário" que na verdade não é um bairro.
Luís Alexandre
COnsultor Imóveis
http://www.ftimoveis.com.br
(13) 3014-5994