CONSTRUÇÃO CIVIL: RETOMADA CONSISTENTE
O programa “Minha Casa, Minha Vida” é um marco para o setor. Nem a crise mundial que começou no mercado imobiliário norte-americano causou tanto impacto quanto a criação de crédito para todas as faixas de renda, e especialmente, para famílias de renda inferior a três salários mínimos. Os demais incentivos que vieram após o programa, que foi a primeira resposta do Governo frente ao cenário de crise, como o aumento do teto para empréstimo pelo Sistema Financeiro de Habitação e a redução de impostos para materiais de construção, ajudaram a consolidar uma nova fase para o mercado de construção civil no país. Esses fatores também orientaram a atuação de empresas do setor de todos os portes e, especialmente, das grandes companhias, que há alguns anos, vinham lançando um número maior de empreendimentos, fortificadas pelos recursos levantados com a emissão de ações e pela estabilização da economia brasileira.
O que aconteceu com o setor a partir daí foi a ampliação da atuação das empresas – grande parte construindo e incorporando -, no atendimento a faixas mais baixas de renda, umas em menor escala, outras dedicadas exclusivamente a esses novos consumidores. Esses movimentos, assim como o cenário mais apertado trazido com a crise que começou em 2008, foram responsáveis por mudanças que ainda impactam o setor. Em termos de desempenho, o mercado já retomou em ritmo satisfatório os lançamentos e a vendas, como demonstram os resultados do segundo trimestre (conforme os relatórios abaixo) e devem ser reforçados com a divulgação do desempenho do terceiro trimestre. No entanto, as margens conquistadas pelas companhias não voltaram totalmente. Isso tem algumas explicações, e que devem ser levadas em conta para entender o desempenho do setor.
A proximidade da divulgação dos resultados do terceiro trimestre mexe com as ações, especialmente, das empresas do setor de construção civil, que é muito volátil. De acordo com o analista da Ativa Corretora, Armando Halfeld, no mês de setembro, os papéis do setor performaram bem. O índice imobiliário (IMOB) praticamente dobrou em relação ao Ibovespa. No entanto, é um setor bastante volátil. Por isso, depois da divulgação dos resultados, que deve ocorrer entre a segunda quinzena de outubro e a primeira de novembro, os papéis devem apresentar uma realização. No entanto, são papéis que tem uma tendência positiva, especialmente, pelo potencial do setor e dos bons resultados esperados daqui para frente.
Fonte: Monitor Mercantil