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      Mercado imobiliário se voltará para a baixa renda em 2008

      SÃO PAULO – Se, em 2007, o mercado imobiliário estava voltado para as classes média e média alta, em 2008, o grande filão a ser explorado será a baixa renda, disse o presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), João Crestana. Regras do Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), aprovadas no ano passado, permitiram o financiamento com o fundo por pessoas que recebem acima de R$ 4,9 mil.

      Este ano, no entanto, uma mudança permitirá a abertura do mercado de financiamento para as pessoas com menor poder aquisitivo: bancos privados oferecerão recursos do FGTS para a compra da casa própria, modalidade restrita, anteriormente, à CEF (Caixa Econômica Federal).

      “Isso é ótimo e não trará prejuízos para a Caixa. O Fundo tem R$ 50 bilhões para financiar a habitação e só R$ 7 bilhões têm sido aplicados, na média dos últimos anos. Para erradicar o déficit habitacional, seriam necessários de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões ao ano”, afirmou Crestana.

      Déficit habitacional

      O presidente do Secovi-SP disse que a eliminação do déficit habitacional só será possível com a criação de um sistema baseado no subsídio às famílias de baixa e baixíssima renda, com gestão integrada de recursos, e o financiamento mais barato e ágil com o dinheiro do FGTS. “Com isso, será possível aplicar até R$ 30 bilhões ao ano e, em dez anos, atacar o déficit”, afirmou.

      Pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostrou que o déficit habitacional brasileiro, avaliado em 7,964 milhões de residências em 2006, poderá ser erradicado até 2020.

      É nas famílias com renda entre zero e cinco salários mínimos – até R$ 1.900 – que está concentrada a maior fatia do déficit, segundo o Secovi-SP.

      Parcelas de financiamento

      O mercado imobiliário, notando o filão da baixa renda, já propõe parcelas de financiamentos de casa que chegam aos patamares das de carro. Podemos perceber prestações em torno de poucas centenas de reais.

      A diferença é que a compra de carro é ocorre em um período mais curto. A casa própria, no entanto, continua sendo o sonho de todo o brasileiro.

      Por: Flávia Furlan Nunes

      15/01/08 – 14h43

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