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jruiz
Mestre1 de outubro de 2007 às 20:54Número de postagens: 1735[justify]O crescimento da demanda na construção civil está produzindo escassez de cimento e, conseqüentemente, aumento do preço do produto no Distrito Federal, segundo admitiu, em entrevista ao Jornal da Comunidade, o novo presidente do Sindicato das Indústrias de Construção do DF (Sinduscon), ElsonRibeiro Póvoa. Em janeiro, o preço da saca de 50 quilos de cimento custava
R$ 10. Atualmente, custa R$ 14.
O mercado está excitado e intrigado. Ou o aquecimento se acelerou, demasiadamente, ou as empresas fabricantes do produto, que atuam em oligopólio, reduziram a produção para criar escassez artificial capaz de elevar o preço do produto.
O Sinduscon, que comanda um setor responsável por 18% do PIB do DF, promete, segundo Póvoa, investigar o assunto e debatê-lo no próximo encontro nacional da construção civil, que ocorrerá em Brasília, no dia 5 de outubro, para traçar metas estratégicas capazes de enfrentar os
problemas setoriais de curto, médio e longo prazos.
A procura pelo cimento, de qualquer forma, demonstra o aquecimento do mercado de construção, que no DF, diz Póvoa, deverá crescer, neste ano, relativamente a 2006, algo em torno de 15% a 18%. Os investimentos cresceram, aproximadamente, 10%, percentual semelhante para o avanço da taxa de emprego.
Os preços estão valorizando e os clientes, em meio às incertezas que cercam o dólar e o mercado acionário, depois da crise monetário-imobiliária americana, voltam a preferir os imóveis como fontes de reservas financeiras mais seguras.
A construção civil privada vive um boom no DF e a construção voltada para as obras públicas mantém expectativa positiva relativamente aos investimentos governamentais. Dias atrás, foram liberados R$ 240 milhões, primeira parcela dos R$ 980 milhões correspondentes à parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que caberá ao Distrito Federal.
Esse montante, acrescenta Póvoa, deve ser somado aos primeiros desembolsos que começarão a ser feitos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) do total de empréstimos de 900 milhões de dólares negociados pelo GDF. As obras de infra-estrutura, prevê, começarão a deslanchar.
O boom do setor imobiliário ocorre em todo o território nacional. De janeiro a agosto, segundo a Abecip, foram liberados R$ 10,3 bilhões da poupança para construção civil privada. Tal conjuntura, explica o titular do Sinduscon, é fruto do ajuste de política setorial realizado no segundo período do mandato do governo Lula, que, agora, gera colheita farta.
O crédito está disponível em quantidade satisfatória e a taxa de juros oscila entre 7% e 8% ao ano, ainda elevada, mas, comparativamente à situação de três anos atrás, tornou-se favorável, quando o juro real oscilava entre 15% e 20%.
Tal situação foi favorecida, explica Póvoa, pela mudança na legislação que assegurou ao investidor possibilidade de retomada do imóvel diante da inadimplência e o enquadramento dos bancos pelo governo para cumprimento da lei que fixa recursos da poupança para o setor imobiliário.
Com a nova legislação, foi possível aumentar a parcela da poupança na área de habitação em escala consideravelmente superior à verificada no tempo em que o comprador de imóvel contava com lei favorável aos seus interesses, estimulando, durante os tempos de desaquecimento do mercado, inadimplências generalizadas.
Pela lei, para cada um real de depósito em poupança, 0,65 centavos são direcionados para o setor habitacional. Os bancos não cumpriam essa regra. Argumentavam que estavam bancando prejuízos históricos, de forma escalonada, do Fundo de Compensação da Variação Salarial (FCVS), herdado do falido sistema do BNH.
Assim, dos R$ 100 bilhões disponíveis na poupança, eram aplicados, pelo sistema financeiro, apenas, R$ 2 bilhões nas atividades imobiliárias, até há dois anos, explica Elson Póvoa.
O setor empresarial da construção civil se articulou politicamente no Congresso e conseguiu posicionamento favorável do governo relativamente ao assunto, de modo a atender os interesses do setor produtivo. O ex-ministro Antônio Palocci, da Fazenda, determinou aos bancos o cumprimento da lei ou a retirada do mercado dos recursos não aplicados da poupança na construção civil. Haveria recolhimento compulsório, que prejudicaria o sistema financeiro.
Este teria remuneração pela TR sobre o dinheiro recolhido, semelhante à valorização da poupança. Perderiam os lucros nas aplicações dos títulos da dívida pública sobre os quais incidem a taxa de juro real mais alta do mundo.
Diante das expectativas de perdas financeiras pela não aplicação na construção imobiliária dos 0,65 centavos de cada real da poupança, os bancos recuaram para não suportarem recolhimentos compulsórios reajustados a taxa de juros baixa. Desde então, o crédito tornou-se farto para o setor, avançando mais de 30% ao ano, e a demanda cresceu mais de 20%.
A falta de cimento, que começa a ser verificada no DF, tem tudo a ver com essa nova conjuntura, gerando especulação por parte dos oligopólios que dominam a fabricação do produto. A alternativa é defender a importação. Atualmente, a saca de 50 quilos importada está a 4 dólares, mas o custo de transporte, do porto ao Centro-Oeste, eleva o preço, tornando a concorrência com a produção interna oscilante, inconfiável. Os produtores oligopolizados dosam essa medida para que não haja perigo de perda de mercado.
Boom dá trabalho e traz problemas
As alegrias do crescimento se somam, igualmente, às preocupações. Se, por um lado, a demanda cresce, por outro, dois problemas surgem: faltam terrenos para novas construções, enquanto crescem dificuldades para a contratação de mão-de-obra, destaca Póvoa.
A classe empresarial pressiona por liberação de áreas como as do Noroeste, Catetinho e do Jóquei Clube, como espaços indispensáveis para proporcionar a oferta de imóveis no Plano Piloto. E como não poderia deixar de ser, o reflexo do aquecimento produz, ao mesmo tempo, maior demanda por trabalho.
Os preços do capital variável (trabalho) tendem a subir, destaca o presidente do Sinduscon, dada a dinâmica imposta ao setor pela maior oferta de crédito, favorecida pelo crescimento da renda média nacional, em torno de 7%, de acordo com o IBGE.
Outras preocupações dos empresários se voltam para questões institucionais que dificultam, na avaliação de Póvoa, novos investimentos. Suas atenções se fixam nos tribunais de contas da União, dos estados e do DF, atuando como extensão do TCU e no Ibama. Os tribunais de contas, na opinião dele, se transformaram de órgãos de assessoramento em órgãos de decisão. No Ibama, argumenta, as avaliações políticas ganham peso significativamente superior ao dos problemas técnicos, para tomada de decisões.
Póvoa considera pragmática e inteligente a estratégia adotada pelo governador Arruda de colocar gestores para comandar cada programa de governo, enquanto cobra resultados. Acelera providências, na medida em que descentraliza ações governamentais.
A proposta do titular do Buriti para que os empresários industriais, a partir da Fibra, tomem conta dos investimentos no Parque Brasília Capital Digital, diz o empresário, se insere nesse novo conceito de governabilidade. Póvoa vê o oposto relativamente ao governo Lula em que a centralização das decisões no Ministério da Casa Civil, sob comando da ministra Dilma Rousseff, tem dificultado providências na liberação dos recursos para as obras que o governo diz que precisam de maior celeridade.
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